terça-feira, 8 de setembro de 2015

A praia

Clarice,
Lembro muito de brincar na praia na minha infância. Lembro das ondas divertidas, dos pulos e mergulhos desajeitados e felizes. Os olhos ardiam com o sal, mas eu brincava de mergulhar sem medo da dor... Lembro dos picolés pingando com a ajuda do sol e do vento, lembro quando vinha uma chuva desavisada e da correria pra encontrar abrigo. Abrigo... Quando a gente cresce, filha... o mar vira outras coisas. A gente vê defeito na areia que gruda, a gente deixa de gostar do nosso corpo e tende escondê-lo por pudor. A gente quer assistir o pôr do sol e esquecer algumas coisas vendo o horizonte cor de abóbora! O mar acalma lá na alma. Abriga lágrimas de alegrias, de saudade, de amor. E tudo vira lágrima ou tudo vira mar... o sabor é quase o mesmo. O mar escuta histórias e a gente escuta seu som. Ele é poesia para os poetas e música que Cartola cantou. Pra você o mar é castelo de areia num horizonte que você mesma pinta. 


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