terça-feira, 5 de maio de 2015

O deixar crescer

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Crescer é tão inevitável quanto respirar. Acontece pra cima, para os lados, de fora pra dentro, de dentro pra fora. A gente cresce com erros, com acertos, com culpa ou sem culpa. A gente cresce em meio a desafios, em meio a experiências boas ou ruins. Também com as péssimas. A gente cresce com a vida. A gente cresce no outro...quando se põe no lugar dele, quando aprende com as experiências dele, do outro. As vezes a gente cresce mais em maturidade do que em centímetros.

Minhas filhas estão crescendo. Cecilia está com quase 2 e Clarice com quase 5 anos. Ainda tão pequenas. Mas tão grandes perto do que já foram em meus braços. A pouco eram tão indefesas... eu as pegava no meu colo quando cabiam lá por completo, sem sobrar pernas e braços para fora de mim. Eu as pegava e ninava achando, ingênua e inutilmente, que eu poderia protegê-las de tudo desse mundo.

Clarice com quase 5 me mostra todos os dias que ela está em franco crescimento. Volta pra mim todos os dias com suas opiniões sobre o mundo dela, sobre suas descobertas... questiona, às vezes me enfrenta. Cada dia mostra mais e mais autonomia e independência. Tem suas preferências para filmes, cores, comidas, amigos, brinquedos, roupas... As vezes a gente se assusta com uma palavra rebuscada em seu vocabulário e se pergunta: mas quantos anos mesmo ela tem?

Cecilia com quase 2 me faz pensar que eu precisaria de mais alguns pares de olhos e mãos. Ela tem sido minhas tardes, minha companheira de ida e vinda da escola... Cecilia é um ciclone. É preciso estar ali todo o tempo com ela... Não posso perder nada. O mundo que ela está ainda não tem perigos, nem medos. Ela simplesmente quer conhecer, quer colocar na boca, quer sentir a textura, quer subir e descer degraus no sentido literal. Com quase 2 ela me mostra o quanto crescem tão rápido. Sempre que a vejo dormir... olho nela os traços da irmã em sua fisionomia tão parecida com a da Clarice. Parece que foi ontem que estava nesse corre corre com Clarice. Com quase 2, hora ou outra surge uma nova palavra mal falada em seu vocabulário. As vezes quem dá a notícia é Clarice, vindo correndo ao meu encontro dizendo que a Cecilia falou uma palavra nova.

Daqui a pouco vou vê-las conversando sobre músicas, teatro e sobre as provas no colégio. O futuro que já está aí... Daqui a pouco seus pequenos corpos sofrerão um estirão. Daqui a pouco vão cultivar seus próprios mistérios... Aqueles tão próprios da adolescência... Daqui a pouco, vou vê-las suspirar pelo primeiro amor. E me caberá apenas estar ali, presente, e com muito amor, respeitá-las. Daqui a pouco pode ser que não queiram mais ir ao cinema comigo, nem contar tudo sobre como foi o dia delas. E me caberá apenas estar ali, presente e respeitá-las.

As crianças estão crescendo... e cada vez que percebo o quanto crescem... O sentimento tem sabor agridoce.


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