domingo, 31 de agosto de 2014

A troca de brinquedo

Esse fim de semana em São Paulo aconteceu a virada sustentável, idealizada pelo Instituto Alana e idealizada por muita gente que experimentou pela primeira vez ou não, a sensação do mercado de troca. O mercado de troca existiu há muito tempo e negociar uma "muambinha e pechinchar", era vital para muitos povos.

Levei minha filha de 4 anos pela primeira vez na Feira de Troca de Brinquedos que aconteceu na Casa das Rosas que fica na Av. Paulista. Irônico, não?! Plena Av. Paulista, o maior centro financeiro da América Latina. E bem ali onde tudo o que se vê, são arranha-céus, shoppings, lojas, teatros, cinemas, bancos... A gente encontrou naquele dia uma casa linda, casa de cultura, de saraus, de oficinas, de críticas literárias, palestras, de ciclos de debates, de exposições ligadas à literatura, de arte e poesia... E agora, casa de troca tudo e troca brinquedo. A Casa das Rosas.

Foto: Arquivo Pessoal

Levamos nosso brinquedo de troca. Um brinquedo em bom estado de funcionamento, que por sinal, estava esquecido no fundo da caixa de brinquedos. Juro que pensei que seria um programa meio de índio... Que teria tumulto, criança chorando e insatisfeita. Duvidei muito que a minha criança e a dos outros teriam tanta maturidade, capacidade de analisar, de propor, de saber receber um não, de abrir mão do brinquedo mais legal porque o outro escolheu primeiro. Duvidei que crianças saberiam desapegar, compartilhar algo tão precioso; ou que saberiam doar algum brinquedo ... porque alguém chegou lá meio de supetão... e doou sem querer nada em troca, embora fosse uma feira de troca.

Quanto aprendizado!
Ensinar uma criança que existe essa possibilidade é dar alguns passos à frente. Um brinquedo novo e de graça. Um brinquedo novo sem gastar nenhum realzinho. Por outro lado, um brinquedo desentulhado, esquecido na caixa de brinquedos agora vai continuar sua história, com novas
aventuras e com seu novo amigo. Parece até o filme Toy Story. Sempre choro no final do Toy Story 3.

Observei a minha criança que normalmente é tão apegada e juro que achei que na hora "H" ela iria dar pra trás. Mas não. Ela escolheu. Ela perguntou se trocaria o brinquedo com o dela.

As outras crianças também... observei aquela tímida que achou que ninguém queria o brinquedo dela e ela saiu sorrindo, timidamente, porque alguém escolheu trocar com ela.

Aquela criança que não sabia receber um não, e não fez cena porque seu brinquedo não agradou a primeira vista, mas ela não desistiu, e conseguiu na terceira vez. Sem birra.

Aquela criança que nunca empresta, mas doou o brinquedo para o desavisado que chegou sem brinquedo nenhum e quis ficar. Isso foi demais!

Mas também teve aquela criança apegada que não conseguiu abrir mão do seu brinquedo para uma
troca. Estou certa que essa também aprendeu muito e talvez foi pra casa refletindo ou até arrependido.

Teve aquela criança que achou que os brinquedos eram inferiores demais ao dela e "deu de ombros" para a feira de troca. Que pena! Tomara ela tenha pais que mostre para ela que o valor está na brincadeira e não no brinquedo (objeto) em si. Tomara!

- Não precisa de dinheiro, mamãe? Nem cartão de crédito?
- Não filha, é uma troca. Você dá o seu e ganha outro... bem assim.

Cabecinha pensante.

***

Vá a uma feira de troca de brinquedos com seus filhos. Encoraje-os! Não estou aqui pregando e colocando abaixo a RiHappy, nem a PBKids... estou longe de ser exemplo, porque hora ou outra vou nessas lojas e trago pra casa aquilo que minhas filhas querem, sem ao menos ser alguma data comemorativa. Mas já é um bom começo. Essa foi a primeira de muitas. Espero!



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