segunda-feira, 31 de março de 2014

Alguns infinitos são maiores do que outros.

Eu queria ler um livro leve. Desses com uma história água com açúcar que a gente lê enquanto as crianças brincam no chão. Vi vários amigos do facebook falando bem do livro "A culpa é das estrelas" do autor John Green. No sábado, dia 22 de março, (meu aniversário) fui ao shopping comprar o presente que minha mãe meu deu. Ela me deu um presente em dinheiro para que eu mesma pudesse escolher e comprar.
Antes de tudo, fui a Livraria e li a sinopse desse livro. Literatura jovem, achei que era perfeito para a ocasião, 31 anos, acho que ainda me enquadro. Pelo que falaram e pela sinopse eu comprei.

Que John Green me perdoe a gafe, errei feio em chamar o livro dele de água com açúcar. Mas não errei de tudo. Tem muito açúcar em A Culpa é das Estrelas. Fazia algum tempo que eu não lia uma história que me envolvesse ao ponto de pensar nas personagens o tempo todo, ao ponto de querer levar o livro pra onde fosse. Acho que o último livro que me arrebatou de tal forma, foi "Senhora" - de José de Alencar.

Não vou contar a história do livro, vou escrever o que está na capa traseira do livro e também na p. 235, onde chorei largo.
Hazel Grace diz:
"Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre o 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros... Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter."

Li a conta gotas. Isso quer dizer que li com uma enorme pena que terminasse.
Dois jovens em fase terminal do câncer, encontram razão um no outro, para valorizar cada dia, cada instante. Porque no caso deles, a vida é um efeito colateral de se estar morrendo.

É açucarado de doce.
Engraçado para dar muita risada.
Triste de tão trágico.
É o amor simples de tão simplório.
É poesia que rima.
É filosofia para a alma.
Assim, com todas essas supérfluas redundâncias.

Em nota, o autor disse:
"Esta é menos uma nota e mais um lembrete do autor sobre o que apareceu impresso em letras pequenas algumas páginas atrás: Este livro é uma obra de ficção. Eu o inventei.
Nem os textos nem os leitores se beneficiam de tentativas de descobrir se há fatos reais por trás de uma história fictícia. Tais esforços são um ataque direto à crença de que histórias inventadas podem ser relevantes, o que é mais ou menos a crença fundamental da nossa espécie."


Histórias inventadas são tão relevantes quanto histórias verdadeiras. Na verdade a ficção se mistura a realidade porque no caso de A culpa é das estrelas, a ficção é uma história inventada que acontece todos os dias. Infelizmente. Quase aconteceu com meu marido, quando estávamos com 9 meses de casados em dezembro de 2005.

E foi uma grata surpresa saber que estão fazendo o filme do livro. Já tem até trayler pronto rolando no youtube.
Já comprei o ingresso, já to com a pipoca e a coca-cola em mãos. Ah, e lenços também.

PS. Esse não é um "publieditorial". Escrevo, logo existo.




quarta-feira, 26 de março de 2014

Pequenas alegrias

Não tem como.
Impossível não vir aqui para registrar essa belezura.
Estou tão orgulhosa da minha pequena.
Parou de chorar na escola.
Parei de buscá-la mais cedo.
Como está crescidinha!

Ela já conhecia TODAS as letras e números antes de ir pra escola. Graças a um monte de letrinhas em e.v.a que tínhamos em casa. Aprendeu brincando. Mas eu sabia que ela conhecia as letras, mas ainda não sabia juntá-las e ler.
Ela pediu para desenhar. Assim que acabou o desenho ela escreveu seu nome. Sem eu soletrar. Sem ela olhar em nada.
E um mundo inteiro está de portas abertas para você, filhinha. O mundo das palavras é magnífico!

Fiquei tão orgulhosa! Que maravilha. E pensar que meu avô materno viveu uma vida inteira de 80 e tantos anos e morreu sem saber ler, sem escrever seu próprio nome. Não consigo imaginar quantas limitações passou por conta do analfabetismo.

Claro que fui logo tirando uma foto e penduramos essa obra prima no lugar de honra - a nossa geladeira. E ainda está lá e quando acabar a exposição dessa obra, porque muitas outras virão, essa arte estará tombada como Patrimônio Cultural da Mamãe, e ganhará lugar merecido na pasta onde comecei a guardar essas coisas lindas.





sábado, 22 de março de 2014

30 e poucos

Sem crise eu sigo. Porque melhor que completar 30 é completar 31. Fiz uma coisa que nunca tinha feito por mim, fiz meu bolo de aniversário, caseiro, de morangos, do jeito que gosto. Pretendo fazer muito mais coisas por mim. Porque eu continuo, entre altos e baixos da vida, descobri cedo que o mundo não gira ao meu redor... Mas não queria mesmo, isso é egoísmo demais, e por ser egoísmo eu já descarto, porque quero ser uma pessoa melhor.
É continuar, porque a vida continua. Ela prossegue tomando seu rumo, escrevendo sua história.
Aliás, que privilégio. Eu nasci há dez mil anos atrás na década linda de 80.
A década que surgiu minha banda preferida U2. A década do Balão Mágico, do Super Nintendo com os incríveis Donkey Kong e Super Mario Bross. O marcante fim da ditadura militar (1985), tinha Ayrton Senna, Nelson Piquet no asfalto e Hortência nas quadras. É o início da idade da informação no mundo.

E nasce eu. Euzinha às 13horas e 15 minutos. Tá aí por que odeio acordar cedo, gente.
Eu ainda tenho amigos que fiz na infância. E tenho amigos novos que são como anjos que visitam minha vida.
Eu tenho uma família de sangue e uma família que me adotou. Que privilégio ter 2 famílias.
Eu torci pelo Brasil que foi Tetracampeão em 1994. Eu chorei porque Renato Russo morreu. Eu vi as Torres Gêmeas desabarem ao vivo enquanto almoçava no sofá, na minha pacata cidadezinha natal.
Eu já sofri por amor, já tomei banho de chuva. Eu descobri a escova progressiva! Ufa!
Eu encontrei o amor da minha vida e me casei com ele. Somos agora uma família de 4 pessoas que não se largam por nada.

Eu deixei tudo e vim pra uma cidade grande. Perdidamente grande. Me senti perdida, arrependida não!
E me apaixonei pela loucura desvairada dessa cidade.
A ponto de planejar a vida toda por aqui.
A ponto de ouvir: "- olha, mãe, tem estrelas hoje"... e enxergar estrelas no
céu cinza-poluição.

Este ano eu quero viver de novo. Obrigada, Deus! Sou grata pela minha vida. O Senhor me deu vida no dia 22 de março de 1983. E tem me dado vida até aqui. E me dará vida eternamente, por que eu creio.

"– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais [...] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre. – E depois que morre?, perguntou o Visconde. – Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?"
Monteiro Lobato


segunda-feira, 17 de março de 2014

Criando filhos e expectativas

Quando mostrei uma foto da Clarice uniformizada para a família que mora longe, minha irmã Jeane escreveu: "que linda, tão inteligente! O que ela vai ser quando crescer?"

Clarice hoje é astronauta, médica, cozinheira,
bailarina, caçadora de borboletas, etc.
Eu não sei o que ela vai ser quando crescer.
É tão cedo para imaginar. Ou não.
Mas espero poder mostrar pra ela uma janela bem ampla com muitas e muitas opções de o que ser e o que não ser.
Será que ela vai poder escolher?
Se para crescer precisa deixar de ser criança...
Isso é uma pena, mas é relativo também.
É relativo que todas as crianças vão virar adultas e que todos os adultos não serão crianças.
E não estou falando de morte e sim de estado de espírito.
Complicado de entender? É complicado mesmo. 

É complicado o mundo em que Clarice vive hoje.
Será que um dia será descomplicado?
Como será o mundo dela em 2023?
Será que ainda vai ter água no planeta?

Criar filhos é criar expectativas, mesmo que você não queira. Mesmo sabendo que as escolhas não
são suas. Porque você faz, espera e deseja o melhor, o maior para os filhos. E as expectativas vão ali de mãos dadas com você o tempo todo. 

O que ela vai ser quando crescer? Eu espero que ela seja uma pessoa de bem, que ganhe a vida com o esforço do seu trabalho honesto, que dê importância as coisas simples, que se lembre dos valores morais que ensinamos a ela. Espero que ela tenha um cachorro para passear no parque, que tenha um amor que a respeite, que seja defensora da natureza, que ame a Deus acima de todas as coisas, que tenha tempo de ir ao cinema numa quinta-feira. Espero que ela goste de artes, que tome banho de mar, que sinta o vento nos cabelos. Espero que ela leia bons livros, que não tenha preconceitos. Espero que ela não tenha insônia, que cultive flores, que tome sorvete e saiba arrumar sua própria cama. Espero que ela tenha amigos verdadeiros, que seja responsável, que saiba dizer obrigada, por favor, e que sorria para o faxineiro do seu prédio. Que ela não tenha passarinhos em gaiola, que visite seus avós por amor, que tenha os traços do seu sorriso da infância.

Dedicado a Jeane, minha irmã.

sábado, 15 de março de 2014

Da primeira semana escolar



E Clarice foi pra escolinha. Prometo que não vou falar sobre o meu coração hoje.
Teve sua primeira semana de escola (meio período). A sensação é que ela realmente cresceu e que juntas, crescemos.

A semana foi cheia de novidades, cheia de graça. Balé, aula de expressão corporal, aula de música, de artes e estimulação com brinquedos. Ela não chorou nem um dia, não ficou triste, não deu show, não fez pirraça, não desistiu, não deu tchau... opsss... é eu dava tchau e gritava enquanto ela corria para o parque da escola "dá tchauzinho pra mamãe, fiiiilhhaa". E ela dava, sem nem olhar pra mim, snif.

No segundo dia, quando fui buscá-la, coloquei-a na cadeirinha do carro, afivelei o cinto, e fomos pra casa. No caminho perguntei como foi a tarde, perguntei sobre os amigos, sobre a professora, sobre a aula de expressão corporal e sobre o jantar. Sim. Clarice janta na escola às 16 horas. 16 horas??? Sim. É uma questão que achei super válida porque como ela é muito chatinha pra comer, achei que aprenderia a comer com os amiguinhos que curtem um verdinho no prato.
Quando perguntei do jantar, ela disse: - eu comi só o meu lanchinho que você fez, mamãe; o jantar eu cuspi; eu cuspi perto do prato do meu novo amigo (abafa); - estava écaaa!
Olhei pelo retrovisor aquela carinha de nojinho que ela fez, que sei muito bem o que passo com essa carinha. Não quis forçar, não acho legal forçar a criança comer o que não gosta. Também não quis dar bronca ou coisa do tipo.
Só disse que quem sabe no dia seguinte ela comeria a comida.

Fui olhar o cardápio da escola e no dia era: arroz, feijão enriquecido com cenoura, beterraba e escarola, carne moída e salada de tomate. Bom, de tudo isso, só se salvaria o arroz e o tomate. Apenas em meus melhores sonhos "culinarísticos", Clarice comeria essa comidinha que ela odeia enriquecida. Parabéns, escola. Vamos continuar tentando.

Aliás em relação a alimentação, fiquei bem satisfeita com a postura da escola. Eles não proíbem, mas pedem aos pais que mandem o lanchinho das crias o mais natural possível. Sucos naturais e frutas devem estar na lancheira bem acomodados e higienizados. Palmas para escola!!!


Estou certa que voltarei aqui para escrever muito mais novidades. Cenas nos próximos capítulos.





sexta-feira, 14 de março de 2014

A mãe blogueira que não sou



Daí que fui ler alguns blogs. Me peguei pensando... E quando penso, assim a fundo, quando sai fumacinha, é minha hora de escrever. Escrever me libera, me dissolve e as vezes até me conclui. E eu até pensei em postar no "feice" minha indignação, meu dia que passou longe de dia de comercial de margarina, porque estou tendo um dia de rainha, naquele sentido que vcs imaginaram agora.

Antes eu era uma pessoa que tinha um blog privado, só eu tinha acesso. Agora sou uma pessoa que tem um blog público. Eu pensei mil e uma vezes antes de abrir meu blog pra quem quisesse ler, e resolvi liberar porque esse espaço aberto ou fechado continuará sendo meu e o fato de escrever aqui um pouco da minha vida, não quer dizer que as pessoas saberão tudo de mim. Ou seja, esse blog aqui não é um retrato
da minha vida, é só um recorte pequeno do que ela é.

Mas onde eu quero chegar com esse assunto? Pois bem... quando tenho um tempinho livre, e estou a fim, eu leio alguns blogs de mães. Alguns blogs bem visitados que na realidade, já se profissionalizaram e deixaram de ser um espaço onde buscamos mães que sofrem, se cansam, mas que fazem com amor o exercício eterno da

 maternidade. Infelizmente me deparo com alguns textos cheios de dedos apontados, de caras fechadas, de ditadura do certo e do errado, sendo que, com informação ou não, cada uma vive seu contexto e faz o melhor que pode.

Bom, eu sou mãe há pouco tempo, sou mãe que ainda se culpa por dar suco de caixinha às vezes, que publica seu carboidrato em vez do prato de salada com algum suco esverdeado mega detox...  A gente é mãe, mas ser mãe nesse mundo de dedos apontados é punk. Entretanto, porém, no entanto, talvez, EU TO FORA desse ring competitivo. O verbo é  emponderar. É se pôr no lugar, é não apontar dedos, é não julgar. Sou tão segura de minhas escolhas que não fico pentelhando escolha de ninguém. Já não basta ser mãe, é preciso amamentar até os 18 anos, é preciso ser ativista de alguma causa, (isso eu sou) é preciso dar só papinhas orgânicas (eu tento), recusar qualquer tipo de comida industrializada. Doces só com 15 anos. Não pode mamadeira, não pode chupeta, não pode mandar pra escola. Não pode dar colo, porque vai ficar acostumado... Se for acostumar com o apego, eu já pratico... Não pode compartilhar a cama, não pode comprar muito brinquedo, não pode usar fralda descartável. Participei recentemente da blogagem coletiva que teve como proposta, justamente a bandeira branca. As informações estão aí, e se uma mãe optou por colocar o filho na escola aos 6 meses, se ela optou por uma cesárea, se ela resolveu parir o filho em casa, se ela resolveu amamentar em livre demanda sem data marcada para o fim, é porque ela teve suas razões. 

A maternidade foi a melhor coisa que me aconteceu porque ela me fez tornar mais humana, menos egoísta, me faz pensar menos em mim. A maternidade é bela, embora, cheia de altos e baixos. Não postamos sobre nossas dúvidas e falhas, mas buscamos no google algum manual, alguma fórmula milagrosa. É raro ver quem compartilha sua foto de pijama, com cabelo desgrenhado, desabafando pelo blog, enquanto o filho tá tirando uma soneca de 15 minutos, no dia que não deu pra seguir a rotina à risca, no dia que não deu pra cozinhar e você pediu uma pizza.

Eu prefiro emponderar. Prefiro partilhar minhas dúvidas, meus medos, meus acertos. Porque quero ser verdadeira com a meia dúzia de mães que passarem por aqui. Buscamos uma vida mais leve, um julgamento mais brando.

segunda-feira, 10 de março de 2014

O Batismo da Cecilia

Cecilia,

Hoje foi um dia especial para seu pai e eu. O domingo em que te levamos para que Deus sacramentasse em você, o batismo. Fizemos isso com sua irmã Clarice e hoje foi a sua vez.

Prometemos diante de Deus, ensiná-la a amar a Deus acima de todas as coisas. Que você cresça em estatura e graça diante daquele que te formou e que conhece cada um dos seus dias. Você e Clarice são heranças preciosas que Deus nos confiou. Amamos vocês duas.

Algumas fotos que registraram o momento.


Igreja Presbiteriana Ebenézer - Osasco, 9 de março de 2014

                         

O batismo e a oração. 
                         
Rev. Paulo Fonseca e a esposa D. Gedida


A carinhosa confraternização que a IP Ebenézer fez. Foi uma grata surpresa!


Os vestidos das meninas... o de cima da Cecilia, o de baixo, da Clarice.

quarta-feira, 5 de março de 2014

A vida e o Pijama

2014 será um ano de grandes mudanças por aqui. E estou sofrendo pra caramba preparada para a enxurrada de novidades que a Escola nos trará. Será tudo novo pra gente aqui em casa. Tudo novo para mim, tudo novo pra minha pequena.

Clarice,
Esses são seus últimos dias aqui com a mamãe, em casa. Achei que iria demorar pra chegar esse dia e que nem conseguiria escrever nada. Esse espaço é tão meu e seu que pensei que você ficaria feliz em ler isso um dia.
Hoje eu quero te dar um conselho de mãe: Sempre que tiver oportunidade, filha, coloque o pijama e não faça nada que não queira. Simples assim... Vou te explicar: Olha esses carinhas ali em cima, na foto, vc, sabe quem são eles. Os bananas de pijamas. Eles estão sempre, sempre de pijamas. Esses carinhas sabem como aproveitar a vida. Quando colocamos o pijama, quer dizer que nada deve nos perturbar, que não queremos fazer nada, só queremos fazer aquilo que gostamos. Ouvir uma música, ler um livro, comer uma bobagem. Pijamas não servem só para dormir, servem para dizer pra você mesma que está de folga, que as obrigações podem esperar um pouco. Quando a vida adulta chegar, você me entenderá melhor. Até agora, sua vida foi só brincadeiras, como seu pai e eu queríamos. A vida inteira é tão pesada, tão cheia de afazeres, que queríamos te poupar, ao menos na sua primeira infância.

....

Nossos dias juntas começaram 9 meses antes do 30 de junho de 2010, dia do seu nascimento. E você foi tão desejada, que ouso dizer que nossos dias juntas começaram lá, quando seu pai e eu desejávamos um bebezinho para amar e experienciar coisas novas. Eu só tenho que te agradecer por todos esses dias juntinhas. Tentei fazer o melhor que pude, filha. Obrigada pelos seus sorrisos. Obrigada pelas birras, porque foram nelas que crescemos e obrigada por me ter feito uma mãe tão intensa, isso é mérito teu, só teu.
Quero que saiba que pude ver seus primeiros passos, ouvir suas primeiras palavras, dar sua primeira papinha. Nunca quis terceirizar essa alegria, só mesmo por uma necessidade. Vibrei com cada uma das suas conquistas, com cada gracinha que fazia, com cada novidade e descoberta que você fez e adoeci todas as vezes que você adoeceu. E tenho absoluta convicção que paga alguma seria suficiente para sua mãe.

....

"To com sintoma de saudade", queria que você coubesse no meu colo pra sempre... queria sentir teu cheirinho de bebê pra sempre. Você está crescendo e precisa crescer, ter asas e voar sozinha. Amar é deixar livre e eu te quero livre! Livre para conhecer outros horizontes, livre para conhecer novas pessoas e começar a escrever outras páginas na sua vida. A escola não é bicho papão, já te falei que essas coisas não existem, sei que você é tão sociável que vai tirar de letra. A mamãe que não. A mamãe vai precisar dessa fase de adaptação, de perceber que você está se tornando um garotinha independente. Que a mamãe não estará por perto para beijar o dodói que fizer na escola, nem te defender de algum coleguinha chato. Mas estarei sempre contigo, filha. Inteiramente por você!  Por isso, quero que fique de pijamas nesses últimos dias em casa. Sem horário, sem muitas regras, com muito tempo livre pra você. A vida deve ter íntima relação com os pijamas, ele é uma bandeira branca, uma pausa.

....

Marisa Monte - Sintoma de Saudades
Ela escreveu e musicou tudo o que queria dizer pra você. Eu te quero livre também!


Eu só quero que você saiba
Que eu estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz
To com sintomas de saudade
To pensando em você e como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor, eu tomo conta de você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem
Eu só quero que você caiba
No meu colo, porque eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás

ps. estamos de pijamas \o/   ....


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