sexta-feira, 14 de março de 2014

A mãe blogueira que não sou



Daí que fui ler alguns blogs. Me peguei pensando... E quando penso, assim a fundo, quando sai fumacinha, é minha hora de escrever. Escrever me libera, me dissolve e as vezes até me conclui. E eu até pensei em postar no "feice" minha indignação, meu dia que passou longe de dia de comercial de margarina, porque estou tendo um dia de rainha, naquele sentido que vcs imaginaram agora.

Antes eu era uma pessoa que tinha um blog privado, só eu tinha acesso. Agora sou uma pessoa que tem um blog público. Eu pensei mil e uma vezes antes de abrir meu blog pra quem quisesse ler, e resolvi liberar porque esse espaço aberto ou fechado continuará sendo meu e o fato de escrever aqui um pouco da minha vida, não quer dizer que as pessoas saberão tudo de mim. Ou seja, esse blog aqui não é um retrato
da minha vida, é só um recorte pequeno do que ela é.

Mas onde eu quero chegar com esse assunto? Pois bem... quando tenho um tempinho livre, e estou a fim, eu leio alguns blogs de mães. Alguns blogs bem visitados que na realidade, já se profissionalizaram e deixaram de ser um espaço onde buscamos mães que sofrem, se cansam, mas que fazem com amor o exercício eterno da

 maternidade. Infelizmente me deparo com alguns textos cheios de dedos apontados, de caras fechadas, de ditadura do certo e do errado, sendo que, com informação ou não, cada uma vive seu contexto e faz o melhor que pode.

Bom, eu sou mãe há pouco tempo, sou mãe que ainda se culpa por dar suco de caixinha às vezes, que publica seu carboidrato em vez do prato de salada com algum suco esverdeado mega detox...  A gente é mãe, mas ser mãe nesse mundo de dedos apontados é punk. Entretanto, porém, no entanto, talvez, EU TO FORA desse ring competitivo. O verbo é  emponderar. É se pôr no lugar, é não apontar dedos, é não julgar. Sou tão segura de minhas escolhas que não fico pentelhando escolha de ninguém. Já não basta ser mãe, é preciso amamentar até os 18 anos, é preciso ser ativista de alguma causa, (isso eu sou) é preciso dar só papinhas orgânicas (eu tento), recusar qualquer tipo de comida industrializada. Doces só com 15 anos. Não pode mamadeira, não pode chupeta, não pode mandar pra escola. Não pode dar colo, porque vai ficar acostumado... Se for acostumar com o apego, eu já pratico... Não pode compartilhar a cama, não pode comprar muito brinquedo, não pode usar fralda descartável. Participei recentemente da blogagem coletiva que teve como proposta, justamente a bandeira branca. As informações estão aí, e se uma mãe optou por colocar o filho na escola aos 6 meses, se ela optou por uma cesárea, se ela resolveu parir o filho em casa, se ela resolveu amamentar em livre demanda sem data marcada para o fim, é porque ela teve suas razões. 

A maternidade foi a melhor coisa que me aconteceu porque ela me fez tornar mais humana, menos egoísta, me faz pensar menos em mim. A maternidade é bela, embora, cheia de altos e baixos. Não postamos sobre nossas dúvidas e falhas, mas buscamos no google algum manual, alguma fórmula milagrosa. É raro ver quem compartilha sua foto de pijama, com cabelo desgrenhado, desabafando pelo blog, enquanto o filho tá tirando uma soneca de 15 minutos, no dia que não deu pra seguir a rotina à risca, no dia que não deu pra cozinhar e você pediu uma pizza.

Eu prefiro emponderar. Prefiro partilhar minhas dúvidas, meus medos, meus acertos. Porque quero ser verdadeira com a meia dúzia de mães que passarem por aqui. Buscamos uma vida mais leve, um julgamento mais brando.

2 comentários:

  1. Amiga, quero ler tudo!! Amei demais!
    Maravilhoso texto.
    Confesso que no começo da minha gestação me tornei "ativista" de algumas causas.
    Mas hoje, ainda antes de parir a Isabela, me desvencilhei de vários desses ativismos baratos e passei a acreditar na maternidade como um presente, que traz muitas responsabilidades, mas que, acima de tudo, deve trazer muitas alegrias.
    Se for do jeito que eu queria, bem. Se não der pra ser, tudo bem.
    Se der pra ficar com a criança em casa até 5 anos, bem. Se no decorrer do tempo se perceber que o melhor pra criança é ir pra escola aos 2 anos, bem também!
    Se vai mandar bolo Ana Maria ou maçã na lancheira, tanto faz.

    Eu já ouvi algumas mães dizendo que não dão colo pro filho de 1 ano e meio pra prepará-los para a vida! Eu pretendo dar colo enquanto quiser, enquanto pedir. Será meu bebê por tão pouco tempo... A vida passa tão rápido pra gente se apegar a essas coisas pequenas. E sem pé nem cabeça.

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  2. Primeiro, obrigada, Dany.
    Que bom te ver lúcida em meio ao mundo blogueiro "perfeito". Obrigada por passar aqui. Beijos e bem vinda. :)

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