sexta-feira, 8 de março de 2013

Os conflitos internos da segunda gestação

O segundo filho foi muito desejado e planejado. Queríamos muito dar um irmão(a) para Clarice, porque acho que a vida sem irmãos deve ser muito sozinha, principalmente para uma criança.

Então, engravidei. Ficamos felizes e alucinados com a novidade e desde então, começamos a preparar Clarice para a chegada de mais um membro na família. Não sabíamos como ela reagiria quando isso de fato se concretizasse na vida dela. Quando soubemos que seria outra menina, pensamos: está perfeito! As duas vão brincar juntas, dormiriam no mesmo quarto, usariam as mesmas roupas, veriam os mesmos filmes e uma infinidade de coisas passaram pela nossa cabeça. Clarice teria uma amiga para a vida toda.

Clarice é uma criança muito sensível e desde cedo ela percebeu que estava acontecendo algo diferente. Ficou mais chorona, mais manhosa, começou a fazer coisas que chamassem a atenção pra ela, pedia colo e claro que eu dava, mesmo as pessoas aconselhando e me lembrando do perigo. Mas estava tudo bem com o bebê dentro da barriga, enquanto o bebê fora da barriga (Clarice) precisava do meu colo.

Então nossa estratégia foi ouvi-la, acolhe-la, dar a ela o dobro do que ela sempre teve, em relação a atenção e afeto. Começamos a incluí-la na arrumação das roupinhas da Cecilia, falávamos que ela seria a melhor irmã mais velha do mundo e que Cecilia teria sorte de tê-la como irmã.

No entanto, em alguns momentos entre o primeiro mês e o nono mês de gestação, me vinha uma culpa. Coisas de mãe, coisa de gestante, coisa de milhões de hormônios passeando em suas veias. Me sentia culpada porque Clarice nunca mais me teria inteira pra ela, porque meu tempo seria dividido entre as duas, porque vi como ela ainda era tão pequenina e dependente e mesmo assim, teria que dividir minha atenção. Ela não seria mais o centro das atenções. Todos esses sentimentos eram misturados com recados de amor que eu mandava pra aquele coraçãozinho pulsando 180x por minuto que estava dentro de mim. 

Ouço relatos de mães do passado que tinham 10 e até mais filhos, não tinham tempo, trabalhavam em roça, davam conta da casa, dos filhos, do marido, e nem tinham tempo para pensar nessas coisas. Os filhos sobreviveram a tudo isso, eu sei. Mas aquela era outra geração, uma geração criada muitas vezes sem afeto. Acho que as mães desse século querem quebrar a cadeia e criar com afeto. Eu sou essa mãe. E não sei ser de outra forma.

Então precisei colocar na balança esses sentimentos que, de maneira alguma impactou o amor que eu já sentia pela Cecilia, que estava ali dentro de mim, junto com o meu furacão interno.

Examinei meus conflitos e precisava dar umas respostas para o meu eu interior e grávido.
Meu amor por Clarice iria mudar? Não, nunca, jamais. Ele só aumenta.
Nosso tempo juntas e a qualidade dele iria se abalar? O tempo sim, mas a qualidade eu espero que não.
Ela estava sofrendo com a chegada da irmã? Não posso chamar ciúmes de sofrimento. Ela estava demonstrando sua insegurança com todas essas atitudes. Estou disposta a ajudá-la com esses sentimentos? Sim. Quero mostrar pra ela que estamos juntas e sempre estaremos, não importa o que aconteça. 

Feito tudo isso, senti que precisava dizer tudo isso pra Clarice. Dizer e mostrar no nosso dia-a-dia.
Mas precisa dizer? Sim! a gente pensa que eles não entendem, mas eles entendem sim, cada palavra, cada olhar!

Quando fiz esse balanço interno e quando comecei ajudar Clarice de maneira mais efetiva e verbal, as coisas foram melhorando, pra mim e pra ela. 

Um mundo novo e desconhecido estava pra vir. Eu sempre acreditei que o amor agrega, soma, une! E Cecilia é amor puro, que cresce cada minuto! Só precisávamos ficar juntos eu, o papai José, Clarice e Cecilia. Sentimos que estamos completos, que somos um time imbatível!

Já li e vi relatos de mães com esse mesmo conflito. Mesmo sendo um conflito comum, é um conflito! E não podemos menosprezá-lo. Não dar atenção a isso tudo dentro de mim e não dar atenção que Clarice precisava, poderia causar danos irreparáveis, não tenho dúvidas. Precisamos nos ajudar, conversar muito, nos libertar dos medos!

De uma mãe que ama, sem limites, suas duas filhas e tenta todos os dias ser a melhor mãe que elas precisam! 




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