quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Puerpério

Essa é uma das palavras que eu mais pesquisei na minha primeira gravidez. Claro que a nuvenzinha da preocupação pairava por tantos outros assuntos. Porém por mais que pesquisamos e lemos tudo aqui e ali, só mesmo a vivência do momento para definir na pele, no corpo.

Na teoria o puerpério é o nome dado à fase pós-parto, em que a mulher experimenta modificações físicas e psíquicas, tendendo a voltar ao estado que a caracterizava antes da gravidez. Ponto. E vírgula. Muitas vírgulas.

Na prática, o puerpério são essas coisas também:
Fase que as roupas não entram, os seios dóem;
Fase de milhões de trocas de fraldas;
Fase do medo de cuidar do umbigo do bebê;
Fase das unhas não feitas;
Fase dos botões abertos da blusa;
Fase de vigiar se o cocô está verde ou amarelo;
Fase de absorventes e mais absorventes femininos;
Fase de banhos que duram 30 segundos;
Fase da insônia, das olheiras profundas;
Fase das cólicas do bebê...

Mas tem essa fase também, que faz tudo isso valer a pena, e vivemos esse puerpério todo sem pensar um minutinho se quer na gente mesma. Pensamos só nessa pessoinha que precisa tanto de nós, que queríamos conhecer o rostinho e amar, incondicionalmente, pro resto da vida e a vida toda!!!

Essa fase sim, se pudéssemos, retardaríamos as horas, os dias. A fase que quando o bebê dorme, torcemos para que ele durma um tempão, mas também torcemos para que ele acorde logo, porque estamos doidas para começar tudo de novo. A fase dele pequenininhos que vamos sentir falta. A fase do cheirinho bom de neném na casa, do chorinho de recém nascido, das sonecas no colinho. A fase que estamos sensíveis, que queremos proteger nossa cria do mundo e de tudo que há no mundo; A fase do vínculo criando raízes.

Essa é a parte linda do puerpério! 
Para homenageá-la, uma foto das minhas bebês em pleno puerpério da mamãe aqui. Posso sentir o cheirinho de cada uma delas. Fica na nossa memória emocional pro resto da vida! Saudades mil!




Clarice - Junho de 2010

Cecilia - Julho de 2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A barriga e o mundo

Engraçado... quando sua barriga começa a apontar, mostrando ao mundo que tem um bebê crescendo ali, o mundo começa a perguntar da sua barriga, passar a mão na sua barriga e você começa a ver pelo mundo, só barrigas. Será que essa perspectiva é só minha? Onde estavam todas essas mulheres grávidas antes que eu não as via? Por onde ando, por onde vou, vejo mulheres e barrigas. Será que eu não enxergava essas grávidas antes?

O mundo começa a girar em torno do nosso umbigo. E por causa das nossas barrigas podemos entrar na fila de prioridade, sentar no ônibus e comprar calças mais largas sem a consciência doer. Ou seja, nosso mundo fica mais fácil por nove meses.

Depois que o bebê nasce, ainda nos preocupamos com nossas barrigas e com o  mundo. Mas a preocupação é se nossa barriga será a mesma que antes, se vamos perder alguns centímetros dela ou se ela continuará para sempre uma gelatina. Argh
Nos preocupamos com o mundo também. Mas não queremos que o mundo fique como ele está. Queremos mudanças!

Por duas vezes eu passei por essa experiência linda de ter uma barriga e observar o mundo. Por duas vezes eu registrei. E por causa dessas duas barrigas que eu desejo sempre um mundo melhor.
Barriga da Clarice

Barriga da Cecilia


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Espelho, espelho meu

Quando sua menstruação atrasa e você resolve fazer o teste de farmácia.
Atire a primeira pedra quem nunca fez esse teste que dura 5 intermináveis minutos da sua vida.

Fiz esse teste na minha primeira gravidez e na segunda também. Os dois deram certinhos, por mais que eu quisesse ou não quisesse acreditar, deram super positivo.
Aqueles dois palitinhos vermelhinhos na sua frente. E o mundo congela, seus pensamentos congelam e você começa a se imaginar linda, grávida, sentada numa poltrona branca e confortável, amamentando, usando uma camisola floral e chinelos de tecido. Esse é o mundo ideal.

Sempre li, ouvi, mulheres dizendo que quando estavam grávidas, seus cabelos, unhas e pele ficaram deslumbrantes. Só que comigo isso não aconteceu. Meus cabelos ficaram rebeldes, minha pele do rosto cheia de espinhas e cravos, o nariz de batatinha e meus pés de pão bisnaga. Só se salvaram as unhas. Elas ficaram bonitas. Ou seja, eu corria do espelho! Foi uma fase que não reconhecia minha própria imagem frente ao espelho.

Agora os sintomas:  passei mal nas duas gravidezes, por quase 9 meses. Sentia todos os sintomas ruins da gestação. TODOS! Se era psicológico, não sei. Mas tudo o que sabia era que precisava esperar, esperar para passar. Acreditava que quando passassem os 3 primeiros meses tudo iria passar. Mas dava 3, 4, 5 ,6 meses e nada...

Da Clarice posso dizer que fiquei apenas 3 meses vomitando. Depois veio uma azia que eu parecia um dragão.
Da Cecilia foi um pouco pior. Eu cuspia. Sim. Não conseguia engolir a própria saliva. Eu preferia vomitar nove meses do que sentir aquilo. Passou quando Cecilia nasceu.

O mundo ideal é lindo, mágico, inspirador. Mas o mundo real das minhas gravidezes foram cruéis comigo. Eu tendo dizer sempre que Cecilia me fez desistir completamente de ter o terceiro filho. Era muita fraqueza, muita ânsia, muita saliva pra engolir. Fui ao Pronto Socorro algumas vezes tomar soro. Fiquei na casa da minha mãe com Clarice pequena quase 3 meses.

O legal da segunda gravidez é que você já sabe como é. A ansiedade é menor, os medos quase não existem, e você sabe que esse ser que está crescendo vai ser pra sempre, outro amor da sua vida.
Na gravidez da Clarice eu fui ao pronto socorro até pra ver se o bebê estava mexendo. Porque teve um dia que cismei que não tinha sentido ela mexer.
Na segunda gravidez, fiz as ultrassons que o médico pediu e só. Não fui ao PS pra ver se ela estava mexendo, não montei o enxoval antes da vigésima semana, não comprei berço antes da vigésima quinta semana, não fiquei com medo do parto, pós parto.

As mães de primeira viagem que me desculpe, mas a espera do segundo, terceiro, quarto filho é mais tranquila, sem dúvidas. Eu digo pra mim.

Só sei que sou mãe de duas menininhas fofas, lindas, alegres e que faz e preenche o dia dessa mãe que vos fala. E se valeu a pena todo esse "sofrimento"? SIM! Pelos filhos o que não fazemos. Não vivemos, não respiramos sem eles. São nossas razões de existir e acreditar que tudo ainda pode melhorar nesse mundo!


domingo, 11 de agosto de 2013

Em um mês

Cecilia,


As vezes penso que tudo isso, não passa de um sonho bom. Me belisca!
Você está aqui, há um mês, é palpável!
Que bom! Você está aqui, filha. Está dormindo docemente e quem sabe sonhando com um lugar quentinho que você viveu 9 meses.
Você nos completou.
E completou um mês de existência fora da barriga da mamãe. Por isso vim aqui te dizer algumas palavras.
A mamãe já tinha passado por isso, porque já tinha feito escola com sua irmã. E na escola da Clarice em que fico em tempo integral, aprendi que em um mês, somos capazes de amar perdidamente e incondicionalmente.
Em um mês!
Puxa, mas não é cedo para sentir tudo isso, amor é coisa séria, não é?!
Amor é coisa séria, com amor não se brinca.
Não, não é cedo para dizer.
Você transformou toda essa pequena família.
Transformou em número. De três, agora somos quatro.
Você trouxe o amor fraterno para esse lar.
Clarice e Cecilia, irmãs.
Vocês têm sorte de terem uma à outra.
E transformou a vida, o cotidiano, o tempo, as atenções.
Sou capaz de dizer que é pra sempre.
E pra sempre entre pai, mãe e filha, nunca acaba.
Você está aqui, há um mês, é de verdade!
Que bom! Você está aqui.
Você nos completou.
Clarice precisava de você, filha.
Parabéns pelo seu primeiro mês de vida.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Mãe de segunda viagem

Amanhã vou "virar mãe" pela segunda vez.
Vou conhecer minha segunda filha e dividir meu coração de mãe em duas partes iguais.
Que Deus, Aquele que te formou e escreveu todos os teus dias e a cada um deles planejou (Sl 139.16), guarde sua vida, Cecilia. Que vc venha com muita saúde. Estamos prontos e preparados para recebê-la. 

sábado, 8 de junho de 2013

Chá de bebê da Cecilia

Eu tive.

Eu tive na minha igreja querida. Foi organizado pelas minhas amigas Alessandra e Sueli. As brincadeiras foram super leves e divertidas. Ganhei coisas úteis que uso bastante.

O marido teve
O pessoal da TAM Linhas Aéreas, foram muito legais. Fizeram o mesmo que fizeram quando estava grávida da Clarice. Juro, gente... o maridex precisou dar duas viagens, encher o porta malas do carro (Lê-se porta malas grande) duas vezes. Da Clarice eu não precisei comprar fraldas por 8 m e s e s. UFA!! Ajudou pacas!!!

O chá da Cecilia foi cute cute assim ó:



E ainda ganhei essas almofadas corujas foférrimas!!! Presente da querida Alessandra M. Cardoso

Tava bom, viu?!

Coisa mais fofa!


Preciso deixar os créditos:
Decoração: AleCria - muito capricho e dedicação. AMEI!
Bolos, doces e brincadeiras: Sueli (bolos maravilhosos, mãos de fada)
Fotos: eumerma : )

domingo, 2 de junho de 2013

3 anos de "Claricices"

Minha princesa Clarice hoje é o seu dia! 3 anos de um amor
exagerado, gratuito e incondicional. Obrigada por nos trazer tantas alegrias e pelos turbilhões de
emoções que vc nos proporciona, dia a dia.

Sabe filha, já é seu terceiro aniversário e eu percebo que você está mesmo crescendo. As mães são mesmo um paradoxo complicado de entender. Quero que você cresça, quero que não cresça. Deixa pra lá... Isso envolve tantas coisas, que é melhor deixar sem explicação. Daqui 11dias nascerá sua irmã e sua mãe está cansada e pesadona, sabe?! Cecilia está animada pra te conhecer, filha.
Filhinha o que será de mim depois que você tiver um pouquinho mais velha e escolher comemorar seu aniversário com seus amigos na pizzaria com a turma da faculdade? Mamãe vai encostar o queixo numa almofada e ficar lembrando o quanto você era fofa imitando uma princesa?? Ô pequena, o que será de mim quando não tiver mais como fazer festinhas de última hora pra cantar seus parabéns? O que será de mim quando não te ter por perto pra você assoprar a velinha do bolo quantas vezes você quiser? Depois eu vou te entregar pro mundo, e talvez, só ter a oportunidade de falar com você por telefone né? É assim mesmo filha, a ordem natural da vida, e no que depender da mamãe e do papai, esse será sempre um dia de festa, até mesmo no seu aniversário de 60 anos, onde eu e papai estaremos comemorando velhinhos e sozinhos em casa, o dia mais lindo de nossas vidas.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Os conflitos internos da segunda gestação

O segundo filho foi muito desejado e planejado. Queríamos muito dar um irmão(a) para Clarice, porque acho que a vida sem irmãos deve ser muito sozinha, principalmente para uma criança.

Então, engravidei. Ficamos felizes e alucinados com a novidade e desde então, começamos a preparar Clarice para a chegada de mais um membro na família. Não sabíamos como ela reagiria quando isso de fato se concretizasse na vida dela. Quando soubemos que seria outra menina, pensamos: está perfeito! As duas vão brincar juntas, dormiriam no mesmo quarto, usariam as mesmas roupas, veriam os mesmos filmes e uma infinidade de coisas passaram pela nossa cabeça. Clarice teria uma amiga para a vida toda.

Clarice é uma criança muito sensível e desde cedo ela percebeu que estava acontecendo algo diferente. Ficou mais chorona, mais manhosa, começou a fazer coisas que chamassem a atenção pra ela, pedia colo e claro que eu dava, mesmo as pessoas aconselhando e me lembrando do perigo. Mas estava tudo bem com o bebê dentro da barriga, enquanto o bebê fora da barriga (Clarice) precisava do meu colo.

Então nossa estratégia foi ouvi-la, acolhe-la, dar a ela o dobro do que ela sempre teve, em relação a atenção e afeto. Começamos a incluí-la na arrumação das roupinhas da Cecilia, falávamos que ela seria a melhor irmã mais velha do mundo e que Cecilia teria sorte de tê-la como irmã.

No entanto, em alguns momentos entre o primeiro mês e o nono mês de gestação, me vinha uma culpa. Coisas de mãe, coisa de gestante, coisa de milhões de hormônios passeando em suas veias. Me sentia culpada porque Clarice nunca mais me teria inteira pra ela, porque meu tempo seria dividido entre as duas, porque vi como ela ainda era tão pequenina e dependente e mesmo assim, teria que dividir minha atenção. Ela não seria mais o centro das atenções. Todos esses sentimentos eram misturados com recados de amor que eu mandava pra aquele coraçãozinho pulsando 180x por minuto que estava dentro de mim. 

Ouço relatos de mães do passado que tinham 10 e até mais filhos, não tinham tempo, trabalhavam em roça, davam conta da casa, dos filhos, do marido, e nem tinham tempo para pensar nessas coisas. Os filhos sobreviveram a tudo isso, eu sei. Mas aquela era outra geração, uma geração criada muitas vezes sem afeto. Acho que as mães desse século querem quebrar a cadeia e criar com afeto. Eu sou essa mãe. E não sei ser de outra forma.

Então precisei colocar na balança esses sentimentos que, de maneira alguma impactou o amor que eu já sentia pela Cecilia, que estava ali dentro de mim, junto com o meu furacão interno.

Examinei meus conflitos e precisava dar umas respostas para o meu eu interior e grávido.
Meu amor por Clarice iria mudar? Não, nunca, jamais. Ele só aumenta.
Nosso tempo juntas e a qualidade dele iria se abalar? O tempo sim, mas a qualidade eu espero que não.
Ela estava sofrendo com a chegada da irmã? Não posso chamar ciúmes de sofrimento. Ela estava demonstrando sua insegurança com todas essas atitudes. Estou disposta a ajudá-la com esses sentimentos? Sim. Quero mostrar pra ela que estamos juntas e sempre estaremos, não importa o que aconteça. 

Feito tudo isso, senti que precisava dizer tudo isso pra Clarice. Dizer e mostrar no nosso dia-a-dia.
Mas precisa dizer? Sim! a gente pensa que eles não entendem, mas eles entendem sim, cada palavra, cada olhar!

Quando fiz esse balanço interno e quando comecei ajudar Clarice de maneira mais efetiva e verbal, as coisas foram melhorando, pra mim e pra ela. 

Um mundo novo e desconhecido estava pra vir. Eu sempre acreditei que o amor agrega, soma, une! E Cecilia é amor puro, que cresce cada minuto! Só precisávamos ficar juntos eu, o papai José, Clarice e Cecilia. Sentimos que estamos completos, que somos um time imbatível!

Já li e vi relatos de mães com esse mesmo conflito. Mesmo sendo um conflito comum, é um conflito! E não podemos menosprezá-lo. Não dar atenção a isso tudo dentro de mim e não dar atenção que Clarice precisava, poderia causar danos irreparáveis, não tenho dúvidas. Precisamos nos ajudar, conversar muito, nos libertar dos medos!

De uma mãe que ama, sem limites, suas duas filhas e tenta todos os dias ser a melhor mãe que elas precisam! 




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